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(Texto do Mestre Instalado, Grau 33, Grande Secretário de Relações Exteriores da Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro e Irmão do nosso Quadro, José Carlos de Seixas) 

Embora se mencionem iniciativas Maçônicas no Brasil em datas anteriores, foi somente em 1830, portanto após a Independência do Brasil, que se fundou o Grande Oriente Brasileiro, instalado formalmente no ano seguinte com a participação de três Lojas, Vigilância da Pátria, União e Sete de Abril, todas trabalhando no Rito Francês. Iniciou o seu funcionamento na Rua Santo Antônio, sendo por isso denominado de Grande Oriente de Santo Antônio, e adotando provisoriamente a constituição do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa. No ano seguinte, muda-se para o número 36 da rua do Passeio, vindo a se chamar Grande Oriente do Passeio. O que se sabe, é que a Loja Philantropia e Ordem foi fundada neste Grande Oriente do Passeio, em data incerta, filiando-se ao Grande Oriente do Brasil em 3/2/1862, com o número 143. Naquela época os ideais abolicionistas e republicanos tiveram na figura famosa de Saldanha Marinho um dissidente importante. Assim é que, em fins de 1863 Saldanha Marinho iria conseguir a adesão de oito lojas Maçônicas do Rio de Janeiro e que, seguindo cegamente sua liderança, viriam a se afastar do Grande Oriente do Brasil de então fundando o Grande Oriente dos Beneditinos. Dentre essas Lojas figuravam as seguintes:

a) Loja Caridade
b) Loja Comércio
c) Loja 18 de Julho
d) Loja Estrela do Rio
e) Loja Imparcialidade
f) Loja Silêncio
g) Loja Philantropia e Ordem

Sendo Venerável Mestre naquela época da Loja Cap. Philantropia e Ordem o Ir Eduardo Augusto Machado, 30o. Essas Lojas e o seu Grande Oriente dos Beneditinos, viriam, em data posterior, a novamente se fundir ao Grande Oriente do Passeio, mais tarde Grande Oriente do Lavradio. Após esse “retorno” ao seio da Instituição principal, a Loja continuaria com o seu espírito insubmisso e, em 1878, viria a se rebelar contra ato do Grande Oriente do Brasil. Essa citada “rebelião” seria na verdade a emissão de um manifesto à Assembléia Geral do Grande Oriente protestando contra a criação da Taxa de Captação. Tamanha importância teve tal manifesto que, por Decreto número 57 datado 28/04/1879, o Soberano Grande Comendador Francisco José Cardoso Júnior viria a publicar o seguinte:

Art 1º – Seja considerada extinta a Aug .’. Loj .’. Cap.’. Philantropia e Ordem como rebelde às ordens e resoluções emanadas das autoridades maçônicas legalmente constituídas;
Art. 2º – Seja considerada perpetuamente expulsa da Ordem sua administração, inclusive o seu Deputado, como facciosa e causadora de motim.
Art. 3º – Sejam considerados suspensos de todos os direitos os Maçons e Obreiros da citada extinta loja, ficando-lhe salvo o direito de provarem não terem aderido, nem cooperado para o ato de rebelião por ela praticado.
Art. 4 – As alfaias e mais objectos da supradita extinta Loja pertencerão de direito aos Obreiros da mesma que forem julgados não terem nem aderido, nem cooperado para o que motivou sua extinção, caso queiram constituir-se em Loja.
Art. 5 – Loja alguma poderá d’ora avante Ter o título distinctivo de Philantropia e Ordem....

O nome “Philantropia e Ordem” tornava-se sinônimo de pensamento independente e de combate, sendo, portanto, repudiado. Em 1/12 /1885, os ir. Francisco Torres 30, Carlos Henrique Carreira 30, Antônio Bronniard 18, Miguel Coelho da Rocha Ribeiro 18, Antônio Silveira Mendonça 18, remanescentes da Philantropia e Ordem 143, filiaram-se á Loja ESPERANÇA, levando seu arquivo e alfaias, tal fusão foi comunicada oficialmente ao GOB em sessão de 14/1/1886. Nos próximos anos ainda não temos registro das atividades dos Irmãos da Loja Philantropia e Ordem, porem é certo que a luta no GOB, para ver reerguida a Loja continuou. Novas fontes de informação, quase destruídas pelo tempo, ainda permitem obter preciosos dados que nos ajudam a entender melhor o espírito da nossa Loja, em sua caminhada nos últimos 80 anos. A Augusta e Respeitável Loja Simbólica Philantropia e Ordem No 13, foi reerguida em 16 de dezembro de 1927, em Sessão realizada à Rua do Carmo no. 64, presidida pelo ... Ir... Dr. Raymundo Floresta de Miranda que convida para desempenharem as funções de 1o e 2o VVig... Orad... e Secr..., respectivamente, os IIr... Dr. Amelio Dias de Moraes, Comandante Octacilio Rosa, Dr. Hugo Martins e Dr. João Alfredo Ravasco de Andrade e sob os auspícios da Mui Respeitável Grande Loja do Rio de Janeiro, fundada meses antes. O quadro inicial da Loja contava com 26 Obreiros, integrantes dos quadros das Augustas e Respeitáveis Lojas Maçônicas URIAS, IMPARCIALIDADE E CARIDADE, LUIZ DE CAMÕES, COMMERCIO, 18 DE JULHO e SILENCE, merecendo destaque os nomes de MÁRIO BEHRING, Soberano Grande Comendador do Rito Escocês Antigo e Aceito, JOAQUIM MOREIRA SAMPAIO, Grande Secretário do Santo Império e do Almte. ARTHUR THOMPSON, este o Grão Mestre empossado a 12 de Junho de 1927. Relação completa dos fundadores:

Dr. Mário Bhering,
Dr. Joaquim Moreira Sampaio,
Dr. Amaro de Albuquerque,
Almirante Arthur Thompson,
Dr. Bernadino de Almeida Senna Campos,
Dr. Edmundo Velho Monteiro,
Dr. Hugo Martins,
Comandante Esculápio Cezar de Paiva,
Dr. Álvaro de Figueiredo,
Dr. Raymundo Floresta de Miranda,
Dr. José Matoso Maia Forte,
Dr. Justo de Oliveira
Dr. Amelio Dias de Moraes,
Júlio Augusto Moreira da Silva,
Alfredo Corrêa Villaça,
Dr. Adolpho Câmara da Motta,
Comandante Octacilio Rosa,
Dr. Carlos de Castro Pacheco
Dr. João Pereira Cardoso,
Dr. Tito de Mello Carvalho,
Dr. João Alfredo Ravasco de Andrade,
Dr. Deodato da Silva Maia Júnior,
Dr. Renato Brito de Araújo,
José Benedito Carpi,
Carlos Alfredo Fernandes
Raul Telles Ribeiro.
A Administração Provisória, que ficou assim constituída
Ven... Dr. Mário Bhering,
1o Vig... Dr. Bernardino de Almeida Senna Campos,
2o Vig... Dr. Raymundo Floresta de Miranda,
Orad... Dr. José Matoso Maia Forte,
Secr... Dr. João Ravasco de Andrade,
Thes... José Benedito Carpi,
Mest... de Cer... Comandante Esculápio Cezar de Paiva

O primeiro Tronco de Solidariedade colheu a expressiva quantia de 20$000 Réis. A primeira eleição trouxe para ocupar o Oriente e os altares do 1o e 2o Vigilantes os nomes de MÁRIO BEHRING, BERNARDINO DE ALMEIDA SENNA CAMPOS e RAYMUNDO FLORESTA DE MIRANDA respectivamente. É importante destacar que estes foram Grãos mestres do GOB, e juntos com Mário Bhering formaram a primeira administração da Philantropia e Ordem, na Grande Loja Simb. do Rio de Janeiro. A exposição de motivos que justificou a criação da Loja, indicava uma preocupação em reunir, nesta Oficina, a Elite dirigente da Maçonaria de então, eis que o próprio Soberano Grande Comendador do Rito Escocês era seu Venerável e todos os Irmãos que dela foram fundadores ocupavam altos cargos na própria Grande Loja, no Supremo Conselho ou em Lojas co-irmãs. Apenas por curiosidade, verifiquem que, atualmente, a GLESP também criou uma “Loja do Grão Mestre” com os mesmos objetivos. Aliás, examinando-se a documentação relativa ao cisma de 1927, observa-se a presença dos Irmãos MÁRIO BEHRING, Soberano Grande Comendador, BERNARDINO DE ALMEIDA SENNA CAMPOS, Lugar Tenente Comendador, JOAQUIM MOREIRA SAMPAIO, Grande Secretário do Santo Império e JÚLIO AUGUSTO MOREIRA DA SILVA, Grande Secretário Adjunto do Santo Império, todos signatários do decreto de rompimento com o Grande Oriente a 3 de Agosto de 1927 e também fundadores desta Oficina.

À guisa de comparação, seria como se a Grande Loja do Estado do Rio de Janeiro, ou o Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês, resolvessem reunir sua administração para fundar uma Loja Simbólica. Colocar tantos “notáveis” em uma mesma Oficina não é uma tarefa simples, como se veria posteriormente. A 1a. Iniciação, ocorrida em 18 de janeiro de 1928, um mês após sua fundação, trouxe à luz o Irmão ARIOVISTO DE ALMEIDA REGO. Esse Irmão trouxe, pouco tempo depois, o seu filho ARIOVISTO MARCOS DE ALMEIDA REGO para os nossos quadros. Tivemos o privilégio de entrar em contato com o Irmão ARIOVISTO MARCOS DE ALMEIDA REGO, o filho, por ocasião das comemorações de nossos 60 anos. Naquela época, já muito idoso, o Irmão ARIOVISTO não pode participar de nossas comemorações. Investigando, descobrimos que esse Irmão ocupou altos cargos no Governo Federal, vindo inclusive a presidir a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. É preciso entender alguns dos fenômenos pelos quais passou nossa Loja, situando sua passagem por períodos de grande perturbação nacional, como as Revoluções de 1930 e 1932, o Estado Novo Getulista, a Segunda Guerra Mundial e a Revolução de 1964. Os primeiros anos foram, entretanto, anos de perturbação. O Irmão MÁRIO BEHRING exerceria a Venerança nos anos de 1927 a 1929, seguido pelo Irmão PAULINO DIAMICO , de 1929 a 1930, curiosamente este irmão era representante da maçonaria mista junto ao Supremo Conselho e editava o Jornal “CO-MAÇÃO “, instrumento de propaganda e divulgação da Co-maconaria, foi substituído na venerança pelo Irmão HUGO MARTINS FERREIRA (1930 a 1931) , advogado, em cujo escritório à Rua da Quitanda abrigou-se nos primeiros tempos o Supremo Conselho. Homem de personalidade difícil, o Ven. HUGO MARTINS realizou profundas modificações na Loja. O que apuramos é que em 25 de Setembro de 1930 a Loja efetuava sua primeira cobertura, sendo atingidos os Irmãos JÚLIO AUGUSTO MOREIRA DA SILVA, AMÉLIO DIAS DE MORAIS, parte do quadro de fundadores e MANOEL GONÇALVES PÊCEGO O período de declínio continuou, com os pedidos de quit-placet de mais dois Irmãos fundadores: JOAQUIM MOREIRA SAMPAIO e ERNESTO SEGURA HERRERA.

Em 30 de Novembro de 1931, seria iniciado um Irmão que se tornaria uma das grandes personalidades maçônicas nascidas na nossa Loja: ÁTTILA DE MELLO CHERIFF. Motivos obscuros, entretanto, continuavam a elevar as tensões internas e, no dia 4 de abril de 1932, em sessão presidida por Hugo Martins (nesta altura Past- Master ) pouco mais de quatro anos após sua fundação, em sessão com a presença de 13 irmãos sendo 8 Mestres, ausente o Venerável Mestre de oficio, EDMUNDO VELHO MONTEIRO, foi votado e aprovado o abatimento de colunas da Loja, por cinco votos de maioria, sendo que dos 8 mestres presentes 4 votaram a favor e 4 contra. O que concluímos é que a maioria de 5 votos, foram os dos companheiros e aprendizes. Foram alegados, dentre outros motivos, o desinteresse dos Irmãos pelas sessões, e a grave situação financeira da Loja, com dividas junto a Grande Loja. Submetido o assunto à Câmara Administrativa da Grande Loja, esta, em longa exposição de motivos datada de 16 de abril de 1932, teceu duras críticas à Loja, ao Venerável EDMUNDO DE VELHO MONTEIRO e aos Irmãos Tesoureiro e 2o Vigilante, absolvendo no ato apenas o Irmão Secretário. No dia 20 de abril de 1932, o 1o Vigilante e o Orador interpuseram recurso à Grande Loja protestando contra o abatimento de colunas. Tal recurso foi imediatamente acolhido pelo Sereníssimo Grão Mestre que, em 23 de Abril de 1932, expede o Decreto no 38, anulando o abatimento de colunas. Nosso abatimento de colunas durou apenas 19 dias, e instaurando uma espécie de Inquérito para apurar responsabilidades.

O que foi apurado no Inquérito promovido, ainda é objeto de estudos, porém sem sombra de dúvidas foi constatada uma serie de irregularidades administrativas e o cunho político da tentativa de abatimento de colunas. Convém esclarecer que a eleição para o Grão Mestrado foi acirrada, vencendo O Irmão ERNESTO SEGURA HERRERA, deixando insatisfeitos os Irs... HUGO MARTINS e EDMUNDO VELHO MONTEIRO, levando-os provavelmente a atitude de abater colunas da Oficina. Em Sessão de Grande Loja em 20/3/33 pelo Grão Mestre ERNESTO SEGURA HERRERA, foi proposta e aprovada a expulsão dos Ir. ARTHUR THOMPSON, HUGO MARTINS E EDMUNDO VELHO MONTEIRO, punidos pela tentativa de abatimento de colunas da Philantropia e Ordem. Na nova chapa, eleita em 20 de Junho de 1932, eram instalados os Irmãos OTACÍLIO ROSA como Venerável Mestre, ARIOVISTO MARCOS DE ALMEIDA REGO como 1o Vigilante e ALFREDO FATTINI como 2o Vigilante. Durante o ano de 1933 as tensões internas ainda persistiam, registrando-se elevado absenteísmo. Nesse clima tenso, temos a exaltação do Irmão ATTILA DE MELLO CHERIFF, ocorrida em 20 de Dezembro de 1934. A situação continuou evoluindo negativamente até que a Grande Loja veio a designar um interventor, o Irmão LUIZ PINTO DE CARVALHO. Este Irmão viria a exercer o cargo de Venerável Mestre Interventor em 1934 e como Venerável Mestre eleito em 1935, 1936, 1937 e 1938. Contudo, transcorrido o ano de 1936, nenhum dos Irmãos fundadores permanecia no quadro da Loja. Vamos interromper um pouco nossa narrativa apenas para meditar sobre as razões que motivaram o fenômeno do nascimento e declínio da Loja, logo em seus primeiros anos. O que poderia ter motivado o absenteísmo dos Irmãos e o seu desinteresse pela Loja? A vigorar a tese da reunião dos “notáveis” da Grande Loja de então, seria fácil explicar oocorrido. Irmãos que desempenhavam altos cargos em outras Lojas e mesmo na Grande Loja não poderiam, como efetivamente não o fizeram, dedicar-se com mais afinco ao próprio trabalho da Oficina, vindo esta então a perder sua força inicial e terminar por abater suas colunas.

Esta mesma tese dos “notáveis” explicaria o grande número de adesões de outros Irmãos até de outros Orientes em nossos trabalhos, conforme tivemos a oportunidade de apurar. Lembremo-nos de que estes eram os primeiros anos do movimento de formação das Grandes Lojas e que a Grande Loja do Rio de Janeiro, situada na Capital Federal de então, possuía grande influência sobre todas as outras, até em virtude de sua localização privilegiada. Sendo esta uma Loja dos “notáveis”, nada mais natural que despertar o interesse de tantos outros Irmãos espalhados pelo Brasil. A fonte de sua força seria também a fonte de sua vulnerabilidade, eis que não é trivial reunir em trabalhos maçônicos básicos, como os de Iniciação, Elevação e Exaltação, Irmãos “coroados” habituados a outro padrão de política maçônica. É também dessa época (1935) o início das discussões sobre um famoso tratado entre o Grande Oriente do Brasil e a Grande Loja Unida da Inglaterra, com o fim de criar as polêmicas Lojas Distritais Inglesas no Brasil. Este assunto gerou inúmeras controvérsias no seio da Maçonaria Brasileira e muitos desses Irmãos que mencionamos estiveram envolvidos ativamente nesses debates. Em 1938, viria exercer a Venerança o Irmão SERAPHIM MIGUEIZ e no próximo ano o Irmão FELIPINO SOLON, que dirigiu a Loja por dois mandatos.

Em 1941 nossa Loja viria a firmar convênio com a Loja URIAS, onde era decidido que as duas Lojas teriam os mesmos direitos. Não conseguimos apurar que direitos seriam esses, mas o fato serve para demonstrar a união que havia entre a nossa Loja e aquela co-irmã naquela ocasião. Aliás, convêm lembrar que a Loja URIAS foi uma das mais atuantes na formação de nossos quadros iniciais, uma vez que era a Loja de MÁRIO BEHRING. Em 1941, o Irmão ATTILA DE MELLO CHERIFF ocupou o Trono de Salomão, sucedido por FELIPINO SOLON em 1942. Este viria a devolver o comando da Loja ao Irmão ATTILA no ano de 1943. Em 1944, o antigo Interventor e Venerável LUIZ PINTO DE CARVALHO viria novamente a ocupar o trono de Salomão, tornando-se o Venerável com o maior número de mandatos em nossa história. No período 1946-1947, nossa Loja foi conduzida pelo Irmão ALFREDO PEREIRA VALMANO, sucedido pelo Irmão GUILHERMINO FERNANDES, este por três períodos consecutivos até 1950. O Irmão ATTILA, que não figurou no quadro de captação no ano de 1947, volta a fazê-lo no ano de 1948. Um detalhe interessante é que o Irmão ARIOVISTO, nosso primeiro Aprendiz, figurou em todas as relações de captação desde sua iniciação até aquela data. Em 1949, na gestão do Irmão GUILHERMINO FERNANDES, a loja experimenta a sua primeira grande cisão. Um grupo de 13 Irmãos, liderados pelos Irmãos ROBERTO BARRETO PEDROSO DAS NEVES e JOAQUIM FERREIRA DE SOUZA, abandonam a Loja e fundam a Loja GERMINAL no Grande Oriente do Brasil. Segundo pudemos apurar, o Irmão ROBERTO BARRETO possuía o nome simbólico de SATAN. Esses Irmãos viriam a ser expulsos do GOB em 9 de agosto de 1949 por se dedicarem a conspirar contra o governo Salazarista Português. Não temos maiores detalhes sobre esse fato, mas parece-nos, visto à distância, mais uma das incoerências que tantas vezes ocorrem no meio Maçônico.

Este fenômeno é mais um indício das nossas suspeitas quanto às razões que levaram à criação da Loja e merecerá um estudo mais aprofundado, oportunamente. Em 1950, após esse período de perturbações, a Loja entra em uma fase de tranqüilidade, caracterizada por um grande número de Iniciações. Era a gestão do Irmão JOÃO MARTINS DE OLIVEIRA que viria a passar o malhete para o período de 1951/1952 ao Irmão JOSÉ OZON RODRIGUES. Em 1950 a nossa Loja contava com 35 Irmãos ativos e viria a iniciar em 10 de julho de 1951, 10 profanos de uma só vez, Em Janeiro de 1952, as Lojas viriam a se mudar para o nosso atual endereço, na Rua Mariz e Barros 945. Em 18/9/52 diversos irmãos descontentes das lojas Philantropia e Ordem e Luz da Restauração, inclusive o Venerável da primeira, JOSE OZON RODRIGUES, fundam a Loja REUNIÃO que recebe o numero 39. Entre os irmãos descontentes do quadro da Philantropia e Ordem destacamos:

Francisco Gomes Araújo
Mário Kreiner
Alexey Czareff
Mário da Silva Campello ( Grande Tesoureiro em 1954 )
Benito Garcia Moreno
Gervasio Liberal de Moraes
José Ozon Rodrigues e outros irmãos da Loja Luz da Restauração

Na ausência do Venerável, assume a Venerança substituindo o Ir. JOSÉ OZON RODRIGUES, em meio do mandato, o Irmão CELSO DA SILVA CAMPELLO. Em 5 de Julho de 1952 ocorrem 12 Iniciações e em 25 de Outubro do mesmo ano mais 2, uma delas a de nosso Irmão NEWTON DA COSTA DAMES. Em 15 de agosto de 1953 ocorrem mais 4 iniciações e, aparentemente, fica evidenciado que o intuito da nossa Loja era a renovação integral de seu quadro de Obreiros, aparentemente sem as cautelas de costume, haja visto a ocorrência de vários casos de dispensa de interstício para o aumento de salários. O espírito da reunião dos “notáveis”, conforme mencionamos anteriormente, parecia já não mais orientar a estratégia de crescimento da Loja. Oportunamente a loja REUNIÃO fundiu-se com a Loja Luz da Restauração adotando desta o titulo distintivo. A carta constitutiva então é devolvida, com o retorno do Ir. JOSÉ OZON aos quadros da Philantropia e Ordem. Tal situação não demoraria porém a produzir seus frutos amargos. Assim é que, em 5 de Maio de 1954, provavelmente no encerramento da gestão do Venerável CELSO DA SILVA CAMPELLO, é solicitada a cobertura de 44 Irmãos de uma só vez. Logo após, em 28 de Junho do mesmo ano, o Irmão JOSÉ OZON RODRIGUES que viria a retornar ao Trono de Salomão, tal pedido é anulado.

As razões para esses fenômenos não foram apuradas em nossa pesquisa. Em prancha de 1 de agosto de 1954, a Loja informa possuir em seus quadros 10 Aprendizes e 11 Companheiros. Um detalhe interessante é que, dos 43 Irmãos que figuram na relação de captação expedida em 17 de abril de 1954, nenhum permaneceu no ano subsequente, exceto talvez o Irmão ATTILA DE MELO CHERIFF, cuja presença nas relações é de certa forma intermitente. Essa intermitência talvez se deva ao fato do Irmão ATTILA, já um maçom de expressão naquela época, pertencer ao quadro de outras Oficinas e já tivesse forte influência e atividade no Supremo Conselho do Rito Escocês, do qual viria a se tornar Soberano Grande Comendador. Sucede o Ir. Irmão JOSÉ OZON RODRIGUES, o seu secretario DEUSDEDIT FERNANDES DA SILVA. Em 1955 a loja é administrada por dois mandatos por ANTONIO MIRANDA DE CASTRO LAZERA, neste período, em nossas pesquisas, identificamos uma prancha de 3 de outubro de 1955 onde o Grão Mestre interpela a Loja sobre a utilização de um certo “Ritual Pitagórico” em seus trabalhos. Não conseguimos apurar mais detalhes sobre isso. Estaria nossa Loja envolvida em algum tipo de atividade subversiva contra o Rito Escocês?

Em 10 de Agosto de 1956 em prancha endereçada à Grande Loja, a nossa Loja declara 69 Irmãos como impedidos de freqüentar os trabalhos por vários motivos, inclusive por ausência aos trabalhos regulares. Essa prancha foi assinada pelos Irmãos MÁRIO DA SILVA CAMPELLO então Tesoureiro e ANTONIO PEREIRA PASSOS, então Chanceler. Finalmente, em 20 de Maio de 1956, o quadro ficaria reduzido a 36 Obreiros regulares. De 1957 a 1960, por três gestões, assume a Venerança o Irmão JORGE FERREIRA, neste período foi formalizada a compra do imóvel, com a escritura de compra e venda do imóvel da Rua Mariz de Barros 945. Em 1960, quando assume o cargo o Irmão MÁRIO DA SILVA CAMPELLO, por duas gestões, a Loja informava em 17 de agosto de 1960, possuir apenas 16 Irmãos regulares em seu quadro. Em 1962 assumiu a Venerança o Irmão NILTON DA COSTA DAMES, sendo adquirido o imóvel contíguo, o de numero 953. Nessa época, o quadro evoluiu para 19 Irmãos em 1962 e para 33 Irmãos em 1963, não ficando claro se houve apenas Iniciações ou se também ocorreram filiações. Foi a época da admissão do Irmão JOSÉ GALLO. Em Dezembro de 1963 teríamos mais 11 Iniciações, já em uma nova gestão do Irmão MÁRIO DA SILVA CAMPELLO que iria repetir o mandato para o período 1964/1965.

Em 1964, a Loja viria a entrar outra vez em uma nova fase de perturbações. Era Grão-Mestre o Irmão WILSON DO VALLE FERNANDES. Não obtivemos registros completos dos eventos que ocorreram nessa época, embora possamos registrar o surgimento da Loja REI SALOMÃO, em parte fruto das tensões existentes. Segundo pudemos apurar, foi a época de um dos maiores cismas ocorridos em nossa Loja. Devido a divergências incontornáveis com o Grão Mestre, a Loja houve por bem, por maioria de seus obreiros, abandonar a obediência da Grande Loja do Rio de Janeiro, o que viria a motivar a expulsão dos signatários da Prancha de Desligamento, liderados por MARIO DA SILVA CAMPELLO. Este grupo viria a procurar e obter asilo no Grande Oriente do Brasil, onde constituiu a LOJA PHILANTROPIA E ORDEM II. É desta época um documento famoso, a que tivemos acesso, denominado LIVRO NEGRO e escrito por Irmãos de um conjunto de 4 Lojas: PHILANTROPIA E ORDEM, LÁZARO ZAMENHOFF, PROGRESSO E ORDEM e ROMÃ, constituindo-se um libelo contra o Grão Mestre de então. Este assunto, polêmico até hoje, será ainda devidamente esclarecido quando concluirmos as pesquisas em nova documentação disponível sobre esses eventos. Após a exclusão dos Irmãos revoltosos contra os atos do Grão Mestre, volta nossa Loja a experimentar um novo período de renascimento. Membro da antiga administração sublevada, o Irmão ANTONIO EUSÉBIO DA SILVA, que havia permanecido nesta obediência junto a alguns outros Irmãos, foi nomeado Interventor da Loja em 1965 e, finalmente, eleito Venerável Mestre para o período 1965-1966.

O Irmão EUSÉBIO, hoje nome de nossa Secretaria, orgulhava-se de ter sido o primeiro Venerável Mestre negro na história da Grande Loja. Em 1966 assume a Venerança o Irmão WALTER AMÊNDOLA, em 1967 o Irmão SALVADOR CATALDE DE MACEDO, em 1968 o Irmão JOSÉ AUGUSTO SIMÕES e, finalmente, em 1969 o Irmão ROBERTO DE PAULO. Este, no meio de sua gestão, viria a passar o malhete para o Irmão WALTER AMÊNDOLA, que permaneceria até 1971. Neste ano, assume o Irmão JOÃO VAZ PEREIRA BALTAR e, em 1972 O Irmão JOSÉ GALLO, sucedido por ITABAJARA POTENGI DE MELLO em 1974. Entrava a Loja em uma fase de relativa tranqüilidade. Veríamos o Irmão ANTONIO RODRIGUES LOPES assumir o comando da Loja por dois mandatos consecutivos (1975 a 1977). Sucedeu o Irmão Lopes, o Irmão ANSELMO ROQUE BEZERRA, no período 1977-1978, o Irmão MOACYR GOUVEIA VIDAL, no período 1978-1979, o Irmão ARY PLUBINS BULKOOL por dois mandatos consecutivos de 1979 a 1981, sucedido pelo Irmão FRANCISCO COELHO DE MATTOS no período de 1981 a 1983 também por dois mandatos. Nesse período (1982), depois de grandes distúrbios causados por problemas maçônicos internacionais, e fomentados por Irmãos de nosso próprio Oriente, a GRANDE LOJA DA GUANABARA viria a se extinguir, fundindo-se suas lojas com a GRANDE LOJA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Por conta dessa incorporação, a PHILANTROPIA E ORDEM passou a ter o número 71, mantendo, entretanto, seu número antigo, grafado logo após seu nome.

Uma curiosidade da época: O Irmão ANTONIO RODRIQUES LOPES, o último Grão-Mestre da GLGB, viria a ter seu nome adotado como Patrono de nosso Condomínio. Nossa Loja, em uma de suas atas do período, registra que nosso voto foi para o Ex-Grão-Mestre WILSON DO VALLE FERNANDES, e não para o Irmão Lopes. Felizmente, entretanto, prevaleceram os votos de outras Lojas nessa decisão. Mas a tranqüilidade já durava um tempo excessivo, a julgar pelo nosso passado. Era hora das tradições começarem a se fazer presentes, trazendo novas perturbações. Um grupo de Irmãos, liderados pelo Irmão RAUL ANTONIO GARATTE COLLADO vinha trabalhando para assumir a liderança da Loja. A julgar pelo comportamento do Irmão RAUL observado nas Atas da Gestão FRANCISCO COELHO DE MATOS, quando desempenhou o cargo de Orador por dois anos consecutivos, esse plano de concorrer á Venerança da Philantropia era antigo e bem elaborado. Como sempre, isso viria a se revelar desastroso a curto prazo. Em 1983 assume a Venerança o Irmão HERCY FERREIRA e, ao final de sua gestão, durante as tradicionais negociações para a próxima eleição, sai vitorioso o Irmão MAURO PASCULLI DE CURSI. Desgostosos com os resultados do processo eleitoral, 11 Irmãos Mestres, dos quais dois ex-veneráveis, o Irmão ANSELMO ROQUE BEZERRA e o Irmão MOACYR GOUVEIA VIDAL resolvem se afastar da Loja e fundar a LOJA FENIX, cujo primeiro Venerável foi exatamente o Irmão RAUL ANTONIO GARATE COLLADO. Com os Irmãos ANSELMO e MOACYR, afastaram-se da PHILANTROPIA 9 outros Irmãos, alguns dos quais filhos da Philantropia e outros regulares por filiação.

O Irmão MAURO PASCULI atravessa uma fase bastante difícil, sendo sucedido pelo Irmão JOSÉ CARLOS DE SEIXAS, no período 1985 a 1986. O Irmão MAURO faleceu logo após a eleição do Irmão SEIXAS, não chegando a lhe passar o Malhete de Salomão, e o primeiro trabalho do Irmão SEIXAS, como Venerável da Philantropia, foi exatamente o sepultamento do Irmão MAURO, conforme determina o Ritual Maçônico. O Irmão JOSÉ CARLOS DE SEIXAS, após proceder a algumas iniciações, é sucedido pelo Irmão MARC GRASSIANO, que viria a ocupar o trono de Salomão por dois mandatos consecutivos, sendo novamente sucedido pelo Irmão SEIXAS, no período 1988-1989. O Irmão SEIXAS passa o malhete para o Irmão LUIZ VENÂNCIO ALVES, que viria a ocupar o Trono de Salomão também por dois mandatos consecutivos. Sucede ao Irmão LUIZ VENÂNCIO o Irmão ROBERTO DE PAULO também por dois mandatos, e, em seguida, os Irmãos PEDRO ZONTAK (1993/1994). No período do Irmão ROBERTO DE PAULO, e no período a seguir, tivemos o maior número médio de Irmãos freqüentando nossos trabalhos, como pode ser observado em nossos gráficos. Logo após, no período ANTONIO MARQUES TEIXEIRA DOS RAMOS (1994/1995), a média histórica seria novamente praticada. Na gestão de ERSON TREISTMAN (1995/1996), alguns desentendimentos levaram á organização de uma REUNIÃO DOS MESTRES INSTALADOS DA LOJA, fato provocado por uma Carta a todos os MM feita pelo Irmão JOSÉ CARLOS DE SEIXAS, com o título “O que eu vim fazer na Maçonaria?”.

A conseqüência dessa reunião foi a indicação do Irmão ROBERTO CATALDO (1996/1997) para sua primeira Venerança, seguido de OSCAR LARA ROCHA (1997/1998), WILSON CORREA DE SOUZA NETO (1998/1999), CARLOS ALBERTO DE SOUZA FERRÃO ( 1999/2000 ), .LUIZ ANTONIO MACHADO (2000/2001); RONALDO ANICETO (2001/2002). A seguir, ROBERTO CATALDO novamente viria a assumir a Venerança da Philantropia, no período 2002/2003, seguido por ANTONIO CARLOS DA SILVA (2003/2004), MARDEN LUIZ SODRÉ PEREIRA (2004/2005), WILLIAM TRAVASSOS (2005/2006), HELDER PONCIANO (2006/2008), já com seu substituto indicado na figura do Irmão BERNARD EMILE PELS. Como se pode observar, a história da Loja apresentou momentos tenebrosos e de grande dificuldade, mas também extremamente úteis para a formação e a lapidação do caráter daqueles que por eles passaram. Em 80 anos, tivemos a oportunidade de passar por um Abatimento de Colunas e duas Intervenções, além de provocarmos o surgimento da Loja GERMINAL no GOB e FENIX, neste Oriente. Nascemos na Grande Loja do Rio de Janeiro, transformada depois em Grande Loja da Guanabara e, finalmente, fundida por extinção à atual Grande Loja do Estado do Rio de Janeiro. Aos nossos quadros pertenceram pelo menos 10 Grão Mestres – os três primeiros da Grande Loja do Rio de Janeiro – ARTHUR TOMPSOM, ERNESTO SEGURA HERRERA e ESCULÁPIO CESAR DE PAIVA e os dois últimos da Grande Loja da Guanabara – WALTER AMÊNDOLA e ANTÔNIO RODRIGUES LOPES, note-se que da fundação vieram três ex-GrãoS-MestreS do GOB, além de cinco Soberanos Grande Comendadores, os Irmãos MARIO BEHRING, JOAQUIM MOREIRA SAMPAIO ALVARO DE FIGEURIREDO, DANEIL CORREA TRINDADE e ATTILA DE MELLO CHARIFF.

Temos portanto, enquanto Loja Maçônica, o justo orgulho de ter participado de muitos dos graves momentos porque passou a nossa Grande Loja, e não é pequena nossa responsabilidade em preservarmos esse passado, com todos os seus percalços e também,- porque não? – momentos gloriosos. É difícil analisar a trajetória dessa Oficina, cheia de altos e baixos, tensões e crescimentos, mas também uma inigualável escola de comportamento humano, com toda a sua grandeza e miséria. Trabalhamos junto a Irmãos de grande liderança, capazes de realmente conduzir o quadro para uma ou outra posição mais radical, sem que julguemos o mérito de tais iniciativas. Foi o caso de Hugo Martins ferreira, Edmundo Velho Monteiro, Mário Campello, Antônio Eusébio da Silva e Raul Garate Collado. Também tivemos entre nós Irmãos que certamente deixaram marcas em nossos corações, não por sua combatividade, mas por sua doçura e humanismo, como GAUDÊNCIO FONTENELLE DE MIRANDA, Maçom do Ano em 1995 e querida e ativa presença em tantas Oficinas além da nossa e BENEDITO GABRIEL DE JESUS, incansáveis e humildes trabalhadores em nossa Oficina e exemplos de abnegação à causa Maçônica. Esses dois Irmãos foram reconhecidos pela Loja como MESTRES INSTALADOS, por seus relevantes serviços prestados à causa Maçônica, embora não tenham ocupado o Trono de Salomão. A palavra PHILANTROPIA é a conjunção dos termos PHILO – Amigo e ANTROPOS – Homem ou Humanidade, portanto “Amigo da Humanidade” em seu primeiro termo.

E, foi isso que muitos de nós procuramos ser no passado, e ainda procuramos, apesar das dificuldades e da miséria humana. Não seria surpreendente que, quase 50 anos após, por ocasião do Cisma de 1927, viesse esse nome a ser exatamente escolhido por aqueles que viriam a liderar aquele movimento, como símbolo de resistência ao GOB. Um indício importante dessa suposição é que praticamente toda a 1a administração da Grande Loja do Rio de Janeiro é fundadora da nova e soerguida PHILANTROPIA E ORDEM. Em Maçonaria meus Irmãos, o tempo é algo mais relativo que nas sociedades profanas. Foi apenas 50 anos após a decretação de extinção da Philantropia e Ordem que esta viria a ser soerguida. Foi apenas 50 anos após a cisão que a antiga Grande Loja da Guanabara, sucessora de fato e de direito da Grande Loja do Rio de Janeiro original, viria a fazer um tratado de fraternal amizade com esse mesmo Grande Oriente de onde provêm suas origens. Esse tratado, assinado na gestão do SGM HEITOR CORREIA DE MELLO, como é do conhecimento geral, foi denunciado menos de 30 dias após sua assinatura. Por uma curiosidade, o GARANTE DE PAZ E AMIZADE de nossa Grande Loja nesse tratado foi o nosso Irmão ANTONIO RODRIGUES LOPES, que viria a se tornar nosso Grão-Mestre depois de nosso Irmão WALTER AMENDOLA. Agora, 80 anos após a cisão, finalmente as Grandes Lojas vivem em Fraternal Amizade com o Grande Oriente do Brasil, apesar de ainda existirem dificuldades no que tange aos reconhecimentos internacionais, e a algumas Grandes Lojas Estaduais.

Contudo, hoje existem inúmeros grupos maçônicos, de várias obediências diferentes, convivendo e trocando experiências nesse mundo novo que é a INTERNET, e esse fenômeno, fruto do nosso atual desenvolvimento tecnológico, mais cedo ou mais tarde produzirá seus bons frutos. Quer nos Grandes Orientes do Passeio, dos Beneditinos ou do Brasil, ou na Grande Loja Simbólica do Rio de Janeiro, na Grande Loja da Guanabara, ou na Grande Loja do Estado do Rio de Janeiro, nesse fluxo e refluxo do relacionamento maçônico, restam, para aqueles que combateram idéias ou se posicionaram contra o despotismo ou a privação de suas liberdades, o consolo das glórias do Passado, e um nome que a tudo sobreviveu, sobrevive e sobreviverá: PHILANTROPIA E ORDEM, símbolo do inconformismo, abrigo dos revolucionários e insatisfeitos de todos os tempos. Este é o caso de nossa Loja, que viria, já nessa sua fase de Grande Loja, ser também elemento central de várias disputas que viriam a dar origem a outras Lojas, como por exemplo as Lojas Reunião e Rei Salomão há algumas décadas e a Phoenix, esta mais recentemente. Sabemos que dos 15 Grão-Mestres da história da Grande Loja do Rio de Janeiro, mais tarde Grande Loja da Guanabara e finalmente extinta, 10 seriam em alguma época filiados à Philantropia e Ordem. Vale a pena citar seus nomes, mais uma vez, para que perdurem na lembrança de nossos Irmãos:

Arthur Thompsom
Ernesto Segura Herrera
Esculápio César de Paiva
Eurico de Figueiredo Sampaio
Álvaro de Figueiredo
Daniel Corrêa Trindade
Hely Franco Belmino
Jacy Garnier de Bacelar
Walter Amendola
Antônio Rodrigues Lopes

Concluindo, ousando estabelecer uma ligação entre a antiga PHILANTROPIA E ORDEM e esta que conhecemos, podemos chegar a algumas constatações:

a) A Loja Philantropia e Ordem foi fundada no Grande Oriente do Passeio e sempre trabalhou no REAA.
b) A Loja foi uma das fundadoras do Grande Oriente dos Beneditinos, de Saldanha Marinho, com quem lutou pelos ideais republicanos e anti-escravagistas da época.
c) Por várias vezes se afiliou ao Grande Oriente do Brasil, de onde viria sua administração a ser expulsa, sua organização extinta e seu nome banido perpetuamente.
d) Em 1927, teria o seu nome soerguido vindo a ser fundada exatamente pelos articuladores do cisma de 1927 e fundadores das Grandes Lojas.
e) Pouco após esse soerguimento, ainda em 1932, a Loja teria seu nome mais uma vez envolvido em problemas com a Grande Loja Simbólica do Rio de Janeiro. Desses problemas resultou um abatimento de colunas de curta duração e a expulsão da ordem de alguns Irmãos tradicionais e fundadores, os Irmãos Arthur Thompson, Hugo Martins e Edmundo Velho Monteiro.
f) Durante sua fase na Grande Loja Simbólica do Rio de Janeiro, mais tarde Grande Loja da Guanabara, poderemos encontrar em seus quadros a maioria dos GrãoS-Mestres e grande parte dos Oficiais.
g) Poderemos encontrar em seus quadros também vários Soberanos Comendadores do Supremo Conselho (Mário Behring, Joaquim Moreira Sampaio, Álvaro Figueiredo, Daniel Corrêa Trindade e Attila de Melo Cheriff).
h) Na aquisição dos prédios do Condomínio Antônio Rodrigues Lopes foi uma das principais articuladoras e principal quotista.
i) Em cisma ocorrido na administração do Grão Mestre Wilson do Vale Fernandes, é novamente punida e expulsa, vindo a maioria de seus membros a se estabelecer no Grande Oriente do Brasil sob a denominação de Philantropia e Ordem II. Os
remanescentes, que permaneceram neste Condomínio, prosseguiram com o nome e parte da documentação da Loja Philantropia e Ordem, que tinha apenas o número 13 em sua identificação. Com a extinção da Grande Loja da Guanabara, veio a se incorporar à Grande Loja do Estado do Rio de Janeiro passando a ser a Loja de número 71. Para não perder suas origens e tradições, manteve os dois números, o primeiro e tradicional dos tempos de Mário Behring e este, novo, da nova organização que sucedeu na jurisdição a extinta Grande Loja da Guanabara.
j) Os dois últimos grão mestres da Grande Loja da Guanabara – Walter Amendola e Antônio Rodrigues Lopes foram de seu quadro.

Finalmente meus Irmãos, este é apenas mais um despretensioso trabalho que contribui com o conhecimento disponível sobre a história de nossa Loja. 80 anos, ou seriam mais de 100, é um período longo o bastante para que percebamos com que espírito essa Loja se fundou e sobreviveu durante todo esse tempo. Sem sombra de dúvidas, a Loja nunca foi, nem em seus tempos primordiais, nem nos tempos atuais, refúgio para o conformismo ou para a subserviência, quaisquer que tenham sido as autoridades de plantão. A Philantropia tem um passado de combates e de vitórias e derrotas, mantendo sempre seu ideal mais profundo inquebrantável, a luta conta o despotismo, os preconceitos e os erros de que a humanidade está cheia, mesmo que para isso tivesse, como efetivamente aconteceu, de pagar preços muito altos, sendo punida diversas vezes. Ao adentrar esse templo portanto, não vos esqueçais que os ecos dos discursos inflamados de nossos irmãos de outrora ainda permanecem no espaço, a nos cobrar a coerência e a seriedade do comportamento maçônico, brigando e discutindo sempre o bom combate, aquele que se dá no plano das idéias e ideais.

Todos nós temos um compromisso com nossos antepassados maçônicos. Negar esse compromisso é trair sua memória. Mas, mesmo que isso aconteça para alguns, outros, uns poucos embora, saberão manter o estandarte que ostenta esse nome, levando-o pelos caminhos escabrosos por onde só passam os temerários, e defendendo essas idéias de liberdade, que serão sempre as mesmas em todos os tempos, pois os inimigos que sempre combatemos, o egoísmo, a falta de fraternidade, a inveja, enfim a miséria humana em suas formas mais sutis, também não esmorece em seu trabalho diuturno para destruir a digna assembléia de homens livres e de bons costumes que nossa Loja deve sempre ser. Que o Grande Arquiteto do Universo ilumine a todos e nos permita continuar a trazer mais luzes sobre a interessante e conturbada história da Philantropia e Ordem.



   
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